O professor André, professor de Teatro, propôs a criação de
um noticiário da turma de Marisol e Belinha. Cada aluno escreveu uma notícia de
acordo com o que mais lhe interessasse no momento. Alguns alunos fizeram em
dupla.
As
notícias que surgiram foram as mais diversas, desde fatos engraçados da
turminha até notícias sérias sobre problemas enfrentados por pessoas em
diversas partes do mundo.
O
professor gravou a vinheta do Jornal Nacional e assim deu início ao Jornal de
Valores.
Ao
chegar a casa, Marisol viu seu pai, que tinha chegado de viagem, sentado na
sala com vô Luiz. Que alegria! Ficou com ele o quanto pôde e depois foi
preparar a lição de casa.
O pai,
por sua vez, era só alegria e sorrisos. Os dias em que Augusto podia ficar em
casa eram de extrema felicidade, pois além de amar profundamente sua família,
amava em especial aquele lugar ao qual chamava LAR.
Ele e
vô Luiz estavam assistindo ao noticiário de tevê enquanto Letícia e vó Vilma
terminavam o jantar.
O jornal na tevê falava de guerras e atentados, crimes e
corrupção, além de algumas matérias mais amenas como o trabalho voluntário que
algumas pessoas faziam e algumas notícias sobre a vida dos artistas.
Augusto - Ah, seu
Luiz, se eu pudesse, ficaria em casa todos os dias.
Vô Luiz – Calma,
Augusto, tudo a seu tempo..
Augusto - É verdade.
Mas eu gosto tanto de ficar em casa... É um local muito especial. Aqui eu me
sinto em paz.
Vô Luiz - É porque
aqui estão aqueles a quem você ama.
Augusto - Por que o
mundo não pode ser assim, não é? Tanta competição. Olha o exemplo do que
estamos falando nas notícias do jornal agora mesmo na TV.
Vô Luiz - Essa busca desenfreada para alcançar tudo que se
deseja sem considerar que além de si mesmo o homem sempre tem alguém al seu
lado é fruto do egoísmo. Quando a pessoa não admite que haja alguma coisa acima do seu conhecimento, vemos aí o
orgulho.
Augusto – É verdade, seu Luiz. Tem gente que pensa que o
homem torna-se materialista quanto mais estuda e se desenvolve na ciência por
descobrir-se mais capaz.
Vô Luiz - Você lembra-se do astronauta que disse que tinha
ido ao céu e não visto Deus?
Augusto – É mesmo.. Como pode, não é?
Vô Luiz – O materialismo
não é uma consequência de estudos mais profundos. Nós, estudiosos da
doutrina espírita, vemos aí cada vez mais a comprovação da superioridade da inteligência que governa o mundo e o
universo. Na verdade, a ideia do nada amedronta a certos homens que
aparentemente são tão fortes e bravos.
Augusto – Seu Luiz, é como se alguém estivesse se afogando e
fosse jogado um salva-vidas ao esclarecer-lhe que, além do vazio que imagina,
existe a vida eterna.
Vô Luiz - Isso mesmo,
Augusto. Ao saberem que no mundo dos Espíritos nada pode estar oculto, a
hipocrisia será desmascarada, o mal será castigado. Mas o mais lindo de tudo é
saber que não há falta irremissível que a expiação não possa apagar.
Augusto – O homem encontrou nas diferentes existências a
senda do progresso para a perfeição, que é seu destino final.
Vô Luiz – É lindo, não é, Augusto? O Pai eterno é amor. Por
amor nos criou, por amor nos educa para este amor irradie em todo universo.
Augusto – Como já dizia o apóstolo João: “Deus é amor”...
Vô Luiz - Tudo isso
que vemos na tevê e nos jornais nos mostra o quanto precisamos progredir,
buscar melhorar e fazer o melhor onde estivermos para que assim possamos ajudar a Deus, como nos disse Jesus, na
construção do Reino de Amor aqui na Terra
Augusto - E quando for difícil, já sabemos, não é?
Vô Luiz - Oremos. A
prece é um ponto de luz que acendemos em nossa caminhada e nos facilita a
compreensão do que acontece e a solução que deve ser tomada.
Augusto – Graças às comunicações espíritas, sabemos que a
vida além-túmulo é uma realidade, pois os próprios seres que já se foram da
vida aqui na Terra, vêm nos
esclarecer sobre o que encontraram e o
que passaram de acordo com suas ações aqui no plano físico.
Vô Luiz - O
Espiritismo aqui está porque Deus permitiu e permite para que as nossas
esperanças se tornem mais firmes e para que sejamos reconduzidos à estrada do
bem pela perspectiva de futuro.
Augusto – É, seu Luiz. Nós espíritas carregamos a esperança
dentro de nós porque sabemos que Deus
nos ama e nosso destino é a felicidade.
Vô Luiz - Muito bem
lembrado. Mas não podemos deixar de fazer nossa parte: fé em nosso coração e
trabalho no bem. Assim, modificaremos esse presente tão doloroso por agora.
Augusto – Certamente.
Voltaram
a assistir ao noticiário, com o coração alentado, cada um já pensando no que
poderia fazer para melhorar o mundo em que vivemos, quando Marisol, que já
tinha terminado a lição da escola, chegou para contar como tinha sido a
apresentação do Jornal de Valores em sua escola.
Capítulo 15
A alma após a morte
O ônibus escolar que levava Marisol para casa perdeu a
direção, tendo batido de encontro a um poste. Muitas crianças se machucaram com
a violenta colisão. Toninho, seu amigo, sofrera traumatismo craniano e dias depois
veio a falecer.
Marisol gostava muito dele porque Toninho. Ele era seu
companheiro de brincadeiras, muito engraçado. Demonstrava sempre paciência e carinho para com todos, em
especial para com ela. Ela, por sua vez, sempre pedia merenda em dobro, porque
quando voltava para casa, na hora do almoço, com a barriga fazendo ROC ROC, ela
gostava de dividir com ele e Belinha o que tivesse.
A morte de Toninho deixou a todos muito tristes, em especial
à Marisol.
Marisol -Vó, eu sei tudo que você me ensinou, mas eu estou
triste, muito triste com a morte do Toninho.
Vó Vilma - Eu sei, meu bem. É natural sentirmos tristeza
pela partida de quem gostamos para a pátria espiritual.
Marisol - Eu sei que é errado, mas está difícil não chorar.
Sei que não posso.
Vó Vilma - Não pode? Quem falou isso? Não só pode, como
deve.
Marisol - Mas a senhora disse que a gente tem que
entender...
Vó Vilma - Entender é algo da nossa razão e o sentir é algo
do coração. O coração sente e sofre e a razão explica. Chore, meu bem. Todos
nós gostamos muito de Toninho e eu sei do seu sentimento tão grande por ele.
Marisol
chorou muito sentida...
Vó Vilma - Ai de nós, querida, se não tivéssemos as lágrimas para aliviar a
opressão que está em nosso coração.
E
continuou:
Vó Vilma - Já viu aquela fumacinha que sai da panela de
pressão?
Marisol - Já.
Vó Vilma - Pois é assim que as lágrimas funcionam. Esvaziam
a pressão que a tristeza, o choque causaram em nós. Benditas lágrimas.
Marisol - É. Estou mais aliviada. – e deu um longo suspiro,
já se sentindo melhor.
Vó Vilma - A razão nos diz que precisamos pôr em prática
tudo que sabemos. Por isso, chorar não faz mal. Sei que você não está
revoltada, sei que entende o que aconteceu.
Marisol - Ele voltou a ser um espírito. Agora ele está desencarnado.
Mas eu continuo gostando muito dele.
Vó Vilma - E ele continua sentindo o mesmo por você. Ele
levou com ele tudo isso que viveu e aprendeu aqui.
Marisol - Se eu pudesse dar um presente para ele...
Vó Vilma - Você pode.
Marisol - Como?
Vó Vilma - O espírito não pode levar nada de material consigo, por isso, o presente que você quer dar tem que ser diferente.
Marisol - Como, vó?
Vó Vilma - O que você gostaria de dar para ele?
Marisol - Acho que umas flores bonitas como as que a
professora de piano me deu na audição.
Vó Vilma - Hum... muito bem lembrado.
Marisol - Como vou fazer, vó?
Vó Vilma - Pense no Toninho com muito carinho.
Marisol - Sim. Estou pensando.
Vó Vilma - Agora pense nas flores lindas que gostaria de dar
a ele.
Marisol - Estou pensando. São lindas, vó.
Vó Vilma - Agora pense nele e se veja entregando as flores a
ele.
Marisol
ficou concentrada por alguns instantes e duas lágrimas rolaram em seu rosto.
Vó Vilma - E então, Solzinha?
Marisol – Eu pensei no Toninho e o vi igualzinho como ele
era.
Vó Vilma - E depois?
Marisol – Eu entreguei a ele as flores num buquê muito
lindo. Ele sorriu para mim.
Vó Vilma - Toda vez que você quiser, poderá presenteá-lo com
seu carinho. Ele vai ficar muito feliz.
Marisol
ficou por um longo tempo ali.
Colo de avó é mágico.
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