Como ler o livro

Por ser um blog, as postagens mais recentes ficam à frente. Portanto, vejam desde a introdução, os capítulos na sequência numérica. Leiam o 1º capítulo, depois o 2º e por aí vai.
Espero que aprendam, se divirtam e se emocionem com Marisol, sua família e seus amigos.

Atenciosamente,
Sonia da Palma

Contato:
soniadapalma@yahoo.com.br

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Capítulo 9 - Eu espírito e eu matéria


Vô Luiz e vó Vilma estavam sempre cantando. Ele tocando violão, ela compondo músicas que ensinavam a viver melhor.
“Este corpo de carne em que estou encarnado
é um tesouro que Deus me deu emprestado...”

Marisol estava de chegando com Belinha e como as duas já conheciam a música, continuaram.

“Por ele eu vou à escola, eu ouço, eu vejo, eu posso falar,
sentir o perfume das flores, de tudo saber o paladar...”

Belinha - Seu Luiz, eu não sei a continuação. – protestou Belinha.
Vô Luiz  - Então, vamos lá.

“Eu espírito que penso, que aprendo, que sinto,
que tomo qualquer decisão,
recebi este corpo emprestado para progredir nesta encarnação.
Quando ele ficar bem velhinho, cansado, fraquinho,
ou mesmo quebrado,
serei obrigado a deixá-lo e estarei espírito desencarnado.”

Belinha - Ah, dona Vilma, explica o que isso quer dizer. – quis saber Belinha.
Vó Vilma - Quer dizer que Deus criou você espírito imortal.
Belinha - Ué? Todo mundo morre.
Vó Vilma - Não é bem assim.
Belinha - Eu não vou morrer?
Marisol - Nunquinha. Eu já sabia disso. – disse Marisol toda faceira querendo se fazer de muito entendida em assuntos do Espírito.
Vô Luiz - Solzinha, deixa a vovó explicar. – pediu vô Luiz.
Vó Vilma - Belinha, você ama sua mãe?
Belinha - Sim.
Vó Vilma - E seu pai?
Belinha - Claro. Mas por que a senhora quer saber isso?
Vô Luiz - Deus é o Criador de todos nós. Jesus ensinou que Deus é nosso Pai, e como pai, ama muito a todos.
Vó Vilma - O pai de sua mãe é vivo?
Belinha - Não, o vô Joaquim já morreu.
Vó Vilma - E sua mãe deixou de gostar dele?
Belinha - Não. Ela sempre vai ao cemitério e leva flores para ele.
Vó Vilma - Pois é. Como você vê, os laços de amor, carinho e respeito que ligavam sua mãe ao pai não acabaram.
Belinha - É verdade.
Vó Vilma - Você acha que faria sentido Deus criar criaturas que se amam e com a morte destruir tudo isso que existia e unia uns aos outros?
Belinha - Nunca tinha pensado nisso.  – Belinha fazia cara de quem se indagava, tentando entender o que estava sendo falado. – Não faz sentido. Deus não seria bom.
Vô Luiz - Deus é Pai de Amor. – acrescentou vô Luiz sem querer interromper a explicação.

Belinha continuou a perguntar:

Belinha - Mas... quando morre, o que acontece?
Vó Vilma - O que morre é o corpo. Lembra-se da música? “Quando ele ficar bem velhinho, cansado, fraquinho, ou mesmo quebrado...” Se o corpo não tem condições de viver, o corpo morre, mas o espírito continua.
Belinha - A minha mãe teve uma filhinha que morreu poucos dias depois que nasceu. Ela nasceu doentinha. Era Nicole, minha irmã mais velha.
Vó Vilma - O corpo pode ser de gente velhinha, de gente grande, de criança ou até mesmo de bebezinho. Se houver algum problema e ele não puder ficar aqui na Terra vivo, o corpo morre, mas o espírito continua vivo.
Belinha - Então Nicole está viva?!?! – quis saber com os olhinhos cheios de lágrimas.
Vó Vilma - Sim. E se for permitido por Deus, ela pode até visitar vocês.
Belinha - Mas como eu vou saber?
Vó Vilma - Você, Belinha, está espírito encarnado porque você vive na Terra com esse corpo de carne. Nicole, sua irmã, é um espírito desencarnado, assim como seu avô Joaquim.
Belinha - E ele também pode visitar a gente?
Vó Vilma - Certamente.
Belinha - Mas... E as flores que mamãe leva para ele?
Vó Vilma - Ah, ele deve gostar muito. E o que deve acontecer é o seguinte: quando sua mãe pensa em levar as flores para ele, ele sente o carinho mais forte através do pensamento, vai até sua casa e de lá, sai com ela.
Belinha - Mamãe diz que gosta de levar flores para ele porque ela se sente mais perto dele.
Vó Vilma - Na verdade, ele sente a vibração de saudade, amor e vem estar com ela nesses momentos. Enquanto ela ora por ele, conversa mentalmente com ele, e ele, espírito, ali do lado, vai respondendo e falando também do seu carinho e de seu amor.
Belinha - Puxa... Que legal! E a Nicole?
Vó Vilma - Deve estar estudando. Você também pode pedir a Deus por ela.
Belinha - Eu rezo por ela. Eu e mamãe.
Vó Vilma - Muito bem, Belinha. Continuando, o que a música nos ensina? “Eu espírito que penso, que aprendo, que sinto, que tomo qualquer decisão.” Que quer dizer isso?

                Vô Luiz, nesse momento, continuou a explicar:

Vô Luiz - Quem pensa, quem aprende, quem sente, quem toma as decisões é o espírito. Belinha, espírito. Marisol, espírito. Não é o corpo da Belinha que toma as decisões. Não é o corpo da Marisol que aprende. Entenderam?
Belinha - Agora estou entendendo. Mas, seu Luiz, como é que eu posso explicar para os outros o que é espírito?
Vô Luiz - Fica fácil assim: Espírito é o ser inteligente da criação de Deus. Pode estar encarnado ou desencarnado.

Marisol já estava indo além nas suas divagações e quis saber:

Marisol - Deus criou os espíritos todos na mesma hora?

                Vó Vilma sempre citava Jesus para não deixar nenhuma dúvida ao que falava.

Vó Vilma - Jesus disse uma frase assim: "Até hoje meu Pai trabalha e eu
também.”  Deus cria espíritos desde  sempre. Ele jamais deixou de criar.
Marisol - Mas como Ele faz isso?
Vô Luiz - Deus não cria só espíritos, cria também outras criaturas, e todos eles pela sua vontade. Mas a origem é um mis-té-rio. – disse vô Luiz fazendo uma cara engraçada, sacudindo as mãos ao lado da cabeça.
Marisol - Mas um dia..., né, vó? – quis saber Marisol se estava perto o dia de saber.
Vô Luiz - Um dia, minha querida, muito distante de agora, conheceremos e entenderemos. – disse vô Luiz afagando o rosto da menina com um doce sorriso. Depois do almoço continuamos a conversar, está bem?

                Cada um seguiu numa direção, mas de todos os presentes ali, Belinha foi a que saiu mais comovida após aquela conversa. Muitas informações novas e a certeza de que o amor perdura além do corpo físico








Capítulo 8 - O que é espírito? Origem e natureza dos espíritos




Marisol sempre foi muito atenta a tudo ao seu redor. As conversas com vô Luiz e vó Vilma despertavam nela o desejo de aprender mais e mais porque era fácil entender as explicações carinhosas que lhe eram dadas.

Na verdade seus avós tinham plena consciência do quanto era importante a orientação no bem a todos, em especial às crianças, e sendo aquela menina de olhar esperto e cabeça cheia de cachinhos a neta querida, mais se empenhavam em apresentar a ela o que estavam aprendendo ao longo da jornada aqui na terra. Queriam que ela conhecesse ainda na infância o tesouro que haviam levado tanto tempo para conhecer. Esse tesouro é o conhecimento que a doutrina espírita proporciona. Tesouro esse que quanto mais se utiliza, mais rico se fica. Estranho falar assim? Não. Quanto mais aplicamos em nossa vida o conhecimento que a doutrina nos dá, mais ricos em bênçãos ficamos.

Marisol estava procurando o avô para esclarecer algumas de suas dúvidas e encontrou-o sentado à mesa da cozinha catando feijão para ajudar vó Vilma a fazer o almoço.

Marisol - Oi, vô.
Vô Luiz - Oi, Solzinha. Você não ia brincar com Belinha?
Marisol - Eu  ainda vou. Nós  ficamos de jogar totó com o Toninho. Mas... É que eu estava pensando...
Vô Luiz - Já sei. Lá vem suas perguntas 1,2,3 e etc. – comentou ele rindo.
Marisol - É, mais ou menos.
Vô Luiz - Tudo bem, meu bem. Vamos lá. Pergunta número 1.
Marisol - Como é que você consegue catar feijão se você não enxerga, vô?
Vô Luiz – Dizem que quando nos falta um dos sentidos, os outros ficam mais apurados para que possamos perceber melhor o que está ao nosso redor.
Marisol - E como o senhor faz?
Vô Luiz - Eu uso a ponta dos dedos para perceber se é uma pedrinha, um feijão que já tem um furinho, e aí eu vou separando o que está bom daqueles que não devem ir para a panela.
Marisol - Agora eu entendi porque é sempre o senhor que cata o feijão.
Vô Luiz - Por quê?
Marisol - Por que o senhor cata com mais cuidado e percebe melhor.
Vô Luiz - Muito obrigado pelo elogio: sou o melhor catador de feijão da casa. – e deu uma sonora gargalhada.
Marisol - Vô, eu quero perguntar algo sério. – falou meio preocupada com a brincadeira.
Vô Luiz - E o que pode ser tão sério assim?
Marisol - É que às vezes eu não sei explicar direito o que é que eu já aprendi.
Vô Luiz - O quê, por exemplo?
Marisol - Se alguém me perguntar o que é espírito, o que eu vou dizer?
Vô Luiz - Vai dizer o que é?
Marisol - E o que é?
Vô Luiz - Espírito é o ser inteligente da criação de Deus. Mora no Universo, fora do mundo material.
Marisol - É só isso para eu falar?
Vô Luiz - Meu bem, você não pode falar sem entender, senão vira um papagaio que fala sem raciocinar.
Marisol - Então me explica de novo.
Vô Luiz - Deus criou tudo que existe, não é?
Marisol - Sim. O que o homem não criou é obra de Deus, que nem as flores, as montanhas, o céu, o mar, os bichos – de verdade, não é?  porque tem bicho de mentirinha – as pessoas...
Vô Luiz - Isso mesmo. No nosso mundo material temos tudo isso que você falou. Se olharmos para o universo observando o sol, as estrelas, outros planetas, tudo isso foi criado por Deus e está fora do mundo material aqui da Terra, não é?
Marisol - É.
Vô Luiz - E os espíritos povoam o Universo fora do mundo material.
Marisol - Como assim?
Vô Luiz - Você vê espírito andando aí pelas ruas, aparecendo na televisão dando entrevistas aos repórteres?

Desta vez foi Marisol que caiu na gargalhada.

Marisol - (risos) Ah, vô... Você tem cada uma... Claro que não.
Vô Luiz - Então entenda que os espíritos existem e moram fora do mundo material.
Marisol - Tá bom. Isso eu já entendi. Mas agora é a pergunta 2.
Vô Luiz - Manda, Solzinha, que eu estou afiado para responder. – e chegou o rosto para perto da netinha.
Marisol - Vô, espírito é como?
Vô Luiz - Hum... Não posso dizer que ele não tenha matéria, como nós temos no nosso corpo, nas coisas da natureza.
Marisol - Como a água?
Vô Luiz - Como a água, como as plantas...
Marisol - Como o vento! – e assim dizendo, soprou no rosto do avô como ele já fizera  com ela e começou a rir enquanto o avô continuava também sorrindo.
Vô Luiz - Isso mesmo, Solzinha. Como o ar, cheio de moléculas.
Marisol - Mas... E aí?
Vô Luiz - Aí vamos entender que o espírito não tem essa matéria que conhecemos aqui na terra porque nós estamos encarnados. Vamos dizer que eles não têm corpo, esse corpo que temos: são incorpóreos.
Marisol - Hum...
Vô Luiz - Bem, vamos lá para o português.
Marisol - Seu Zé da quitanda?! A gente vai à quitanda agora pra quê?
Vô Luiz - Quitanda? Quem falou em quitanda, Marisol?
Marisol - O senhor. O senhor não falou que a gente vai pro português? É o seu Zé.
Vô Luiz - Não, não é o seu Zé. Estou me referindo à nossa língua materna. Preste atenção! Quem não é feliz é infeliz. Uma terra que não produz é uma terra improdutiva. O que não tem matéria é imaterial.
Marisol - Igual a Deus – acrescentou correndo, começando a cantar.
                “Imaterial, só espírito Ele é...”
Vô Luiz - Bem lembrado, Solzinha. Então, vou fazer algumas perguntas.
Marisol - Pode mandar. – disse toda compenetrada, olhando diretamente o vô nos olhos sem brilho.
Vô Luiz - O que  tem corpo é corpóreo. O que não tem corpo é...?
Marisol - Hum... – torcendo a sobrancelha  concentrada. – Já sei! Incorpóreo.
Vô Luiz - Certo! – aplaudiu o vô.
Marisol - Engraçado... pensar que alguém não tenha corpo. – Marisol ficou meditando no que acabava de ouvir.
Vô Luiz - Mais tarde voltaremos a conversar sobre isso, está bem? – acrescentou o avô percebendo que pairavam algumas dúvidas na cabeça cheia de cachinhos.
Marisol - Vô, eu tenho que sair pra falar com a Belinha.- Marisol estava com pressa, mas muito curiosa sobre a conversa com o avô.
Vô Luiz - Ótimo! Mais tarde... – Ele quis falar, mas ela nem deu tempo do avô concluir.
Marisol - Mas, vô, espírito tem fim?
Vô Luiz - Não, Solzinha. O Espírito, depois de criado por Deus, não terá fim nunca mais. Vive pra sempre. Lembra que já conversamos sobre isso, quando você estava triste por causa de umas coleguinhas?– concluiu o avô que queria terminar seu serviço.
Marisol – É mesmo... Tinha esquecido. Vô, quem vive pra sempre é o quê?
Vô Luiz - Tenta.
Marisol - Não sei.
Vô Luiz - Eterno. O que morre é o corpo.
Marisol - Ah...
Vô Luiz - Vamos lá. Eu ajudo. O corpo morre.  Quem morre é mortal. E quem não morre?
Marisol - Quem não morre é... imortal.
Vô Luiz - Mais uma vez a senhorita está...correta!
Marisol - Uau! Que legal!  Imortal! Legal! Imortal! Legal! – e ficou cantando sem parar.

                Neste momento, a mãe de Marisol entrou na cozinha com as bolsas que trazia da quitanda e percebendo que a filha ali estava fazendo suas inúmeras perguntas assim falou:

Vô Luiz - Marisol, deixe seu avô terminar  o serviço que ele gosta de fazer, minha filha.
Marisol - Tá bom. Obrigada, vô. Entendi direitinho.

Deu um beijo na bochecha do avô deixando-o livre para terminar sua tarefa, e lá se foi matutando no que tinha aprendido com o avô, e, como sempre, contar as novidades para Belinha que estava jogando Totó com Toninho.

Capítulo 7 - O instinto e a razão


                No colégio onde Marisol estuda há uma preocupação muito grande com a formação moral dos pequenos. Diariamente, logo na entrada dos dois turnos, os alunos formam e cantam o Hino Nacional Brasileiro e o Hino da Escola Pequeno Aprendiz. Logo após o canto, a diretora, a professora Lourdinha, faz a prece pedindo a Deus que abençoe e proteja aqueles que lá estão para estudar e trabalhar.

                Embora todas as precauções sejam tomadas, os problemas surgem e, como diz a canção: Tudo é fácil quando existe amor, porque problemas não há, só soluções a se encontrar. Assim é o procedimento daqueles que lá estão.

                Durante o recreio, Marisol, Belinha, Andréa e Aline estavam jogando o “Jogo do Bem”. De repente, a inspetora ouviu uma voz mais exaltada e chegou a tempo de impedir que uma menina pulasse na outra para bater.

Inspetora – Ei, menina! Que isso?
Andréa – Ela mexeu na peça que estava marcando o meu lugar!
Aline – E ela me bateu nas costas. Agora vai ver só!

                Belinha e Marisol tentaram impedir a coleguinha de bater na outra, mas quem conseguiu realmente foi Marina, inspetora tão querida por todos.

                As duas meninas foram encaminhadas para a coordenação e logo para a Sala do Pensar, onde ficavam aqueles que precisavam “pensar” sobre suas atitudes. A coordenadora reuniu os professores, falou de sua preocupação, já que o fato não acontecia pela primeira vez, e todos resolveram cooperar.

                Assim aconteceu. O professor Júlio, de História, comparou o desenvolvimento do homem, desde a pré-história, correlacionando as diversas épocas com o comportamento humano. O professor José Paulo, de Geografia, apresentou as mudanças ocorridas no planeta desde sua formação. Falou de pangeia, das placas tectônicas e de como o homem vem se comportando desde então, auxiliando e degradando a natureza. O tio Zezinho, professor de Ciências da escola, comparou o homem e os diversos tipos de animais, apresentando gravuras divertidas das reações dos seres humanos iguais às reações de animais quando se sentem acuados, hostilizados e ameaçados. A professora Maria Luiza, de Matemática, fez com eles o levantamento do percentual de terra e mar, de área preservada e área degradada e da água potável existente em todo planeta.  A professora Cleide, de Português, pediu que escrevessem uma história, que daria origem a histórias em quadrinhos, com base no que tinham ouvido e aprendido.

                A diretora da escola sugeriu ao professor Hugo, professor de música, que compusesse uma canção que falasse do instinto, predominante na fase animal e da inteligência, atributo do espírito, ser imortal. 

                Assim aconteceu. A professora Regina, de Educação Física, criou uma série de gestos que formaram uma coreografia animada que entreteve a toda criançada.  Durante o recreio, por vários dias, estiveram a cantar e dançar;


INSTINTO   E   RAZÃO


REFRÃO
Vamos conversar
Sobre instinto e razão
Como é que estamos
Na nossa evolução
O instinto é importante
Para a sobrevivência
Mas como ser humano
É preciso usar a inteligência

Se o jacaré vive a se arrastar
Na beira do rio
Pouco quer andar
Mas dentro da água
Rápido a valer
Sai da frente dele
Senão ele vai morder você


REFRÃO
O rei da floresta
Tem grande rugido
O leão assusta
Com tanto ruído
Tem a juba grande
E os dentes também
Numa só patada
Não deixa de pé ninguém, ninguém


REFRÃO


Lá no alto mar
Vive o tubarão
Negro, branco, azul
Baleia e martelo
Dentes afiados
Cauda poderosa
Cuidado, seu surfista,
Ele pode atacar você


REFRÃO
Todos esses bichos
E tantos que há
São filhos de Deus
Que não pára de criar
Estão eu seu  estágio
De evolução
Um dia lá bem longe
Alcançarão também a perfeição


REFRÃO
Como ser humano
Não posso usar
O corpo que tenho
Para agredir
Usando a razão
Estou sempre a refletir
Sou um ser pensante
Estou na Terra para evoluir



                Querem saber da Andréa e Aline? Quando viram que o que faziam era igual aos animais, aprenderam a lição do instinto e da inteligência. Toda vez que sentiam dentro de si aquela vontade de brigar, lembravam-se da música e tudo ficou mais fácil.

Tudo é fácil quando existe amor
Tudo é fácil quando existe amor

Porque problemas não há
Só soluções a se encontrar
Por quê?

Tudo é fácil quando existe amor
Tudo é fácil quando existe amor

Capítulo 6 - Instinto e inteligência




Marisol estava muito, muito triste. O cachorrinho da casa, Gugu, tinha fugido tão logo viu o portão da rua aberto. Um carro que vinha passando, não teve tempo de frear e atingiu  o bichinho. Durante dois dias ele ainda lutou para sobreviver, mas não resistiu.

Marisol tinha orado muito, pedido com toda fé a Deus que melhorasse a saúde de Gugu, mas não conseguiu. Sentiu-se um tanto culpada por não ter ajudado o bichinho a sobreviver. Tentou até mesmo dar o passe, pois tinha descoberto a transferência de energia que acontece através do fluido vital. Vó Vilma tinha dito a ela que o fluido vital se transmite de uma pessoa para a outra, e que aquele que tiver mais fluido, pode dar a quem tem menos e em certos casos pode até mesmo prolongar a vida que está prestes a se extinguir.

Ela chorava, chorava, muito sentida com a perda de Gugu.

Marisol - Eu tentei tanto... Eu pedi a Deus com muita vontade, muita fé. Eu tentei dar para ele toda a força que eu tenho...
Vô Luiz - Querida, não basta você querer, você pedir com toda fé que seja. Gugu ficou muito machucado.

Vô Luiz explicou a ela que quando os elementos essenciais ao funcionamento dos órgãos estão destruídos, ou muito profundamente machucados, o fluido vital se torna impotente para lhes transmitir o movimento da vida, e o ser morre.

Vô Luiz - Além do mais, há um plano de Deus para cada um de nós, um tempo a ser vivido, a ser cumprido. Você, Solzinha, como um ser inteligente que é, deve procurar entender isso.
Marisol - Gugu também era muito inteligente, muito mesmo.
Vô Luiz - Gugu era um cachorrinho lindo.     Mais tarde  poderemos conversar sobre os animais. Por enquanto vamos ver a diferença entre inteligência e instinto.
Marisol - Sou toda ouvidos. – Dizendo isso, Marisol colocou as duas mãos atrás das orelhas, indicando que estava ouvindo atentamente.
Vô Luiz - A inteligência é algo especial, é uma capacidade que alguns seres têm. A inteligência, junto com o pensamento, dá vontade de “fazer”, a consciência de que se existe, dá condições de se relacionar com o mundo e de prover as suas necessidades.
Marisol - Quanta coisa, vô...
Vô Luiz - Realmente.   Às vezes não pensamos em tudo de maravilhoso que temos em nossas vidas.
Marisol - Mas, vô, como é que começa isso? Tem gente que fala que as abelhas e as formigas são inteligentes.
Vô Luiz - Vamos começar com as pedras. Olhe aquela pedra enorme naquela montanha lá longe.
Marisol - Muito linda, vô.
Vô Luiz - Aquela pedra é constituída de matéria sem vitalidade.
Marisol - Sem vida?
Vô Luiz - Isso. Sem vitalidade, sem inteligência. A pedra é um corpo bruto.
Marisol - Mas... E as plantas?
Vô Luiz - As plantas são seres formados de matéria. Têm vida, mas não têm inteligência.
Marisol - Todas as plantas?
Vô Luiz - Sim, todas as plantas.
Marisol - E os animais?   As abelhas fazem as colmeias  perfeitas e as formigas constroem uma verdadeira cidade no formigueiro.
Vô Luiz - É o instinto.
Marisol - Ah, então os animais não têm inteligência?
Vô Luiz - O instinto é uma espécie de inteligência, só que muito simples, rudimentar.
Marisol - Então os animais têm instinto e as pessoas têm inteligência?
Vô Luiz - Todos     nós   continuamos   com      instinto.   Muitas   vezes   ele   nos guia até melhor do que a razão. O instinto não raciocina; a razão permite a escolha e dá ao homem o livre-arbítrio.
Marisol - O que é isso?
Vô Luiz - É a liberdade que temos para escolher o que fazer.
Marisol - E as abelhas podem escolher para fazer a colmeia, produzir o mel?
Vô Luiz - Elas seguem o instinto   que as leva a fazer tudo aquilo, assim como você faz isso...

                Nesse momento vô Luiz soprou direto no rosto de Marisol que fechou os olhos e colocou as mãos tapando o rosto.
Marisol - Aiê, vô-ô. De novo?
                Vô Luiz com as mãos apalpou o rostinho da neta e percebeu o que tinha feito.
Vô Luiz - Isso é uma reação sua por causa do instinto.
Marisol - Hã?
Vô Luiz - O instinto faz com que você proteja o rosto e os olhos para que nenhum mal seja causado a eles.
Marisol - É verdade, vovô. Eu tampei o rosto logo, logo.
Vô Luiz - O instinto faz com que façamos as coisas de forma espontânea, sem raciocinar.
Marisol - E a inteligência, vô?
Vô Luiz - A inteligência faz com que pensemos para fazer as coisas.
Marisol - Já sei. A cabeça é para pensar.
Vô Luiz - Isso, meu bem. E com o coração, agimos da forma como Jesus veio nos ensinar.
                O cheirinho de bolo estava inundando toda casa. Marisol logo chamou o vô para irem juntos à cozinha.
Marisol - Huuuum... Que cheirinho bom! Vamos comer bolo, vô.
Vô Luiz - E então, Marisol?    É o instinto ou a razão que está em ação neste momento?
Marisol - Ai, vô, eu acho que não pode ser a razão porque minha barriga está fazendo roc, roc  e a boca já está cheia d’água.
Vô Luiz - Mas a razão pode dizer alguma coisa a você. O quê?
Marisol - “Marisol, não coma muito, senão vai ter dor de barriga!”.
Vô Luiz - Isso mesmo!
                E rindo, lá se foram os dois comer o bolo tão gostoso que saía do forno naquela hora.                
                Bolo quente é muito bom!

















Capítulo 5 - Os fluidos



Marisol estava em polvorosa. Renato, seu primo de Minas Gerais ia chegar. Como ele era muito mais velho que ela, ela o via como um super-herói.

Marisol - Mãe!!!!!!!!!!!!! Já está na hora?
Mãe - De quê, Marisol?
Marisol - Do primo chegar.
Mãe - Minha filha, já é a quarta vez que você me pergunta isso. Espere que ele daqui mais um pouco  vai chegar.

                Marisol estava agoniada, andando de um lado para o outro. Seus cachinhos não paravam no lugar. Quando ela o viu entrar pelo portão, deu um grito e pulou para seu colo.
                Deu muitos beijinhos no primo tão querido, que por pouco não caiu no chão.

Renato - Uai, priminha! Assim você me mata.
Marisol - Ah... Que saudade!!!!!

                Muitas e muitas vezes Marisol ficava na casa de Renato quando  seus pais podiam viajar em períodos de férias. A cidade pequena onde ele morava era muito acolhedora assim como o povo da região.
                Marisol não poupou nenhum dos detalhes do que vinha aprendendo com vó Vilma e vô Luiz. Renato, por sua vez, muito paciente, incentivava a prima.

Renato - Ah, então você é espírito?
Marisol - E você também, Renato?
Renato - Hum, muito bom saber isso. Diga-me uma coisa, Solzinha. Quando vocês foram à praia com tio Zezinho, você tomou banho de mar?
Marisol - Claro! Mamãe disse que eu parecia um bolinho à milanesa.
Renato - Por que isso?
Marisol - É que eu estava cheia de areia... É tão bom rolar na areia...
Renato - Realmente. E depois tomou banho de mar e tirou a areia.
Marisol - Claro!
Renato - Você sabe, Solzinha, que nós estamos agora  num mar imenso.
Marisol - Não, Renato, nós estamos na varanda.
Renato – Não.  Estamos num mar de fluidos.
Marisol - O que é isso?
Renato -  Mexe os braços como se estivesse nadando, ou como se estivesse imitando as ondas.

                Marisol assim fez e Renato a ajudou fazendo também como se estivesse nadando.

Renato -  E aí, Marisol?  Está sentindo alguma coisa?
Marisol – É engraçado. Parece que meus braços têm umas formiguinhas andando.
Renato - É porque você está mexendo com os fluidos que existem só que não vemos
Marisol - Hum... Que estranho. Pra que serve?
Renato - Ah, isso é um a longa história. Vou cantar para você uma música que fala sobre isso.
               
                Renato pegou o violão de vô Luiz e começou a dedilhar e cantar:

Fluido vital não é vida, mas sem ele não há vida não.
Vegetal, animal, não vivem, não vivem sem fluido vital.
Fluido vital é modificação do fluido cósmico universal
Que dá origem a tudo que existe no mundo material.

Marisol - Mas por que você está me contando isso?
Renato - Vó Vilma não está falando a você sobre os ensinos do Livro dos Espíritos? Pelo que você me falou, ela, vô Luiz, até o tio Zezinho que é todo desligado já esteve lhe ensinando sobre  o livro.
Marisol - É verdade.
Renato - Então? Como diz um grande autor: “Há muito mais coisas entre o  céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia.”
Marisol - Nossa, Renato! Você é muito sabido mesmo! Você é meu herói!
Renato - Nosso herói é Jesus.
Marisol - Mas me explica mais sobre esse flu aí.
Renato - Ih, Solzinha... Tem muita coisa para falar sobre isso Bem, querida, você já sabe escrever?
Marisol - Sim.
Renato - Pode escrever como foi que os tripulantes da Discovery conseguiram consertar o problema que houve na espaçonave?
Marisol - Hum... Não sei nem o que é Discovery...
Renato - Então o fato de saber escrever não quer dizer que você sabe escrever sobre tudo.
Marisol - Mas quando eu estiver do seu tamanho eu vou saber?
Renato - Se você estudar, sim.
Marisol - Então eu vou querer sempre estudar. Mas me explica só um pouquinho.
Renato - Vamos então. Nós temos aqui na terra diversos tipos de força: força centrífuga, força centrípeta, força gravitacional, por exemplo. Esses fluidos, que nós não vemos são muito importantes.
Marisol - Como assim?
Renato - Vamos fazer um barquinho de papel.
Marisol - Eu sei. Pode deixar que eu faço.
Renato - Enquanto isso, eu pego uma bacia.

                Renato logo voltou com uma bacia de tamanho grande e encheu-a de água. Marisol terminou de fazer o barquinho com uma folha de papel.

Marisol - E agora, Renato?
Renato - Agora coloque seu barquinho aqui na água.

                Marisol assim fez. A princípio o barquinho estava paradinho, mas Renato mexeu de leve de um lado e logo do outro fez uma onda que movimentou o barquinho de papel.

Renato - Viu?
Marisol - É mesmo. Foi só você mexer de levinho que o barco movimentou.
Renato - Assim como essa mexida leve movimentou o barquinho, os fluidos também levam as  emoções que estão em nós.
Marisol - De todo mundo?
Renato - Sim.
Marisol - E não dá confusão, não? É muita gente, primo.
Renato - Não dá não.
Marisol - Interessante.
Renato - Se eu estiver brigando em casa, vou atrapalhar a paz no mundo. Mas se eu estiver levando minha vida com alegria e felicidade, essa felicidade devagarzinho vai se espalhando.
Marisol – Esse flu é muito interessante. E eu nem conhecia isso... Mas você canta dizendo que vegetal, animal não vivem sem isso.
Renato – É verdade. Todos nós temos fluido vital, que dá vida.
Marisol – E esse mar que você falou que nós estamos dentro dele?
Renato – O principal é o FCU.
Marisol – O  que é isso?
Renato – Fluido Cósmico Universal. Ele dá origem a tudo que existe no mundo da matéria.
Marisol – Como assim?
Renato – Vamos dizer que é assim: se não tiver FCU, não tem árvore, não tem mar, não tem terra, não tem passarinho, não tem gente.
Marisol – Uau! Por isso que ele é universal.
Renato – Isso mesmo!
Marisol – Acho que vou falar FCU porque essa outra palavra é de enrolar a língua.
Renato - Ei, Marisol! Não se esqueça da música.
Marisol - Ah, sim.
Renato – Vamos cantar?
Marisol – Vamos.

 Marisol ficou dançando enquanto Renato cantava aquela música que daria origem a muitas outras conversas. Estavam na varanda observando o sol da tarde. A brisa soprava suave balançando as plantas e espalhando o doce perfume das flores:

Fluido vital não é vida, mas sem ele não há vida não.
Vegetal, animal, não vivem, não vivem sem fluido vital.
Fluido vital é modificação do fluido cósmico universal
Que dá origem a tudo que existe no mundo material.